terça-feira, 18 de março de 2014

Escolhendo de menos

Um pouco triste reconhecer: não tenho mais me surpreendido com nada.
 Gabito Nunes

Sinceramente, não sei se nasci para dar certo com alguém no quesito romance. É estranho, mas sinto que isso não faz mais parte de mim. 

Por onde anda minha facilidade em me apaixonar? E mais que isso, por onde anda minha vontade de dividir minha vida, meus problemas, meus afazeres, meus medos, meus planos, com alguém?

Eu não sei. Lembro muito bem da época que me apaixonava e sentia borboletas no estômago. Era uma época bonita, sem dúvidas. Mas eu era tão perdido. Sorria ao vento e distribuía meu sorriso a quem quer que fosse, veja que bobagem. A maior parte de mim era uma pureza que o mundo não era capaz de decifrar, ele a devorava. Meus olhos tinham um brilho de mudança, de busca, de vontade de ter alguma pessoa especial que os notasse. Hoje eu não consigo sentir isso. Pois eu noto o brilho dos meus olhos e não sei se existe alguém especial o suficiente para notá-los comigo. Por mais que às vezes eu queira alguém os admirando. Não nego que eu sinto às vezes, bem no meu íntimo, uma certa necessidade de estar com alguém. Mas ela passa a partir do momento que vejo que isso pode se tornar real e eu passo a lembrar de tudo que deu tão errado que me fez desacreditar em almas gêmeas, metades de laranjas e suas tampas de panelas. E não, não estou escolhendo demais. Não tenho tantas opções assim. Na verdade, estou escolhendo de menos. Menos trabalho. Menos tempo perdido. Menos preocupações em minha rotina. Menos medo. Menos tensão. Menos noites sem dormir enquanto ele não me manda um SMS. Menos brigas por ciúmes. Menos críticas. Menos vontade de ser menos meu pra ser mais dele. 
E pra ser bem honesto? Eu não quero escolher ninguém. Só quero que se um dia realmente for pra ser (porque sempre temos uma esperança que um dia será), que seja uma história simples e real. Cansei de colocar romance aonde não existe nada. Cansei de florear histórias só para eu me sentir mais vivo. Cansei de derramar meu sangue pra quem não derramaria uma lágrima por mim. E mais que isso, cansei de procurar. Não procuro mais. E se um dia existir, que seja real. E que eu não precise colocar o romance, que ele simplesmente exista. Eu não quero mais uma metade da laranja, eu quero a fruta inteira. 

Para ouvir enquanto me lê: Vagalumes Cegos - Cícero

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O medo de perder o medo

Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.
Caio Fernando Abreu

Ou as pessoas andam um tanto quanto complicadas, ou amar se torna cada vez mais um artigo de luxo. Eu sempre acreditei no amor, sempre. Sempre acreditei na capacidade do ser humano de se apaixonar muitas e muitas vezes. Sempre reencontrei essas vontades em mim e sempre tive a esperança que isso, o amor, pudesse acontecer comigo em alguma esquina da vida. Sempre amei tantas pessoas e tantas coisas. Porque não um amor, que realmente fizesse valer essa palavra e o sentimento? E a resposta é também apenas uma palavra: pelo medo. As pessoas estão com medo do amor. Medo de acreditar nele, de ver o que ele pode proporcionar. As pessoas estão com medo de agir, medo de se jogar do precipício da alma do outro. E o medo vem devido às experiências de cada um. Eu sei disso, pois eu tenho medo. Tenho medo de me entregar totalmente a alguém novamente. Eu tenho medo, de dar meu coração tão cheio de falhas a alguém. Tenho pavor em me imaginar confiando plenamente em outro ser. Logo eu, que sempre fui chamado de imediatista intenso ou o impulsivo namorador. Logo eu, que sempre tive orgulho se ser o louquinho que namora quem bem entende. Mas sabe o que é? Eu me doei tanto que fiquei sem. Fiquei sem aquele friozinho na barriga quando tenho um primeiro encontro. Fiquei sem expectativas sobre meu coração palpitar por alguém. Fiquei sem criar anseios a respeito de outro ser humano. Fiquei sem saber quando e como falar algo a alguém sem parecer um fraco romântico fora de moda. Eu fiquei sem saber como amar. Eu fiquei sem saber como é o amor ou todos esses clichês folhetinescos que tornam nossas vidas tão reais. Eu fiquei sem saber como devo responder um SMS. Fiquei sem saber como demonstrar os sentimentos ou como demonstrar sem parecer um bobo apaixonado ou como não demonstrar e virar uma pessoa sem coração. Fiquei sem o entendimento. Fiquei sem entender o que eu sinto.  Fiquei sem entender porque as pessoas andam tão matematicamente ritualísticas em suas relações. Fiquei sem o amor. Fiquei sem saber o que faço agora, já que o que sempre me moveu foi o amor. O que a gente faz quando perde o que nos sustenta por inteiro? Eu não sei. Eu não faço ideia. Só peço baixinho que tudo isso passe, que eu possa encontrar alguém que faça com que meu coração perca o medo. Alguém que chegue, tome seu espaço dentro de mim e me faça lembrar que meus sonhos quando eu tinha 18 anos ainda valem a pena. Eu não quero mais ficar sem. Eu quero ganhar. Quero ficar com. Com esperança de que um dia, tudo isso se mostre um grande aprendizado e que o amor chega, ele chega, só basta a gente deixar.

Para ouvir enquanto me lê: Do amor - Tulipa Ruiz 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Hora de trocar a lâmpada?




“Ih, a lâmpada pifou.” 

É hora de encontrar uma lâmpada nova. Você vai de loja em loja até encontrar a lâmpada perfeita para aquele fio solto. Você chega e pede ao vendedor aquela que vai mais durar, afinal de contas é cansativo demais encontrar uma lâmpada nova, e nem sempre ela satisfaz nossas necessidades. 

Pronto, encontrou! Comprou uma lâmpada nova. 

Quando chega em casa, instala a nova lâmpada. E nada. Espera, e nada. Desliga tudo, liga de novo e nada. Ai começa a pensar que talvez o verdadeiro problema seja aquela lâmpada.
Você tenta, procura lâmpada nova. Não adianta. Você percebe que não adianta comprar uma outra lâmpada, ou até mesmo trocar o tipo de lâmpada para aquele lugar. Você tenta, procura lâmpadas de outras formas, jeitos, cores... Mas nenhuma acende. Você busca em diversos lugares, vai até outra loja, e mesmo que a lâmpada se encaixe, não funciona como deveria. 
Então você percebe que o problema é mais profundo. Você nota que talvez o problema seja na fiação mesmo. Não, mas o fio nem parece corrompido. De longe você olha e ele está em perfeito estado. Mas ao buscar ajuda de um profissional vê que o problema era ali dentro do fio e que não adianta procurar outra lâmpada. Não adianta trocar, nem por lâmpadas mais caras ou de formatos diferentes. Enquanto você não arrumar o fio, nada mais vai funcionar. Enquanto você não se arrumar por dentro, nenhuma lâmpada vai acender. Enquanto você acreditar que apenas trocar de lâmpada pode mudar sua vida, vai continuar assim sem funcionar. Pode espernear, chorar, culpar 'Raimundo e todo mundo'. Lâmpada só funciona com fiação em ordem. Chegou a hora de mudar toda a fiação, retocar, arrumar os problemas do passado e quem sabe encontrar uma nova lâmpada no futuro. Mas ela só vai funcionar, quando o fio estiver devidamente arrumado.


Para ouvir enquanto me lê: Airstream - Electra

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu não desisti dos meus sonhos, mas às vezes acho que eles desistiram de mim. Cansaram de me esperar.
Gabito Nunes

E eu digo: Fica! Te mostro meu melhor que tantas vezes eu escondo em minha carapuça de durão. Fica, por favor. Me faz ver que o mundo não é tão horrível quanto eu acredito que seja. Fica, me mostra sua música favorita, seu prato predileto e sua coleção que você sente tanta vergonha. Me mostra motivos para acreditar que você pode ser diferente. Me mostra suas faltas, seus contos e seus pontos. Me faça ver suas reticências e entender suas aspas. Vai, fica. Me mostra tudo que eu ainda posso ter se eu acreditar que o amor realmente existe. Que meu sonho da juventude inocente realmente pode um dia acontecer. Vai, me conta tudo, me faça explorar todos os mares e furacões dentro de você. Acredite em mim, eu só preciso de alguém que me guie. Que me faça acreditar em tudo de novo. 
Todos os dias quando acordo, visto novamente minha carapuça. Gosto que as pessoas pensem que hoje em dia ninguém e nada mais me afeta. Gosto de parecer o ‘cara durão que quer apenas curtir’.  Mas me conheça, além disso. Tire minha carapuça, mostre que você não acredita nela. Me leva pra ver um pôr do sol qualquer ou tomar um café naquela sua cafeteria favorita. Mas não desista de me fazer acreditar. Eu preciso retomar meus sonhos pra conseguir continuar utilizando todas minhas vírgulas e meus pontos finais. Fica, quem sabe assim eu ainda acredite em amor.


Para ouvir enquanto me lê: The Great Escape - P!nk

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Separe seus lencinhos! Proposta de casamento em Flashmob. ♥

Dustin e Spencer são um casal de namorados dos Estados Unidos. 
Bom, eles eram né? Vou explicar melhor. Um amigo de Justin o levou até uma loja de Materiais para construção com a desculpa de ver iluminação para uma festa. Na loja, Dustin se depara com seus amigos e familiares fazendo um flashmob ao som da música "Somebody Loves You" da cantora Betty Who. Ao final, Spencer aparece de terno e pede Dustin em casamento. Coisa linda demais gente!
Dê uma olhadinha abaixo pra se emocionar de vez com a história:




O vídeo é a coisa mais linda, e é impossível segurar as lágrimas ao imaginar a emoção de tudo isso tanto para Dustin, Spencer quanto seus amigos e familiares. Lindo demais! 

Um pouco de amor pra alegrar essa sexta-feira 13. :)

Que seja (agri)doce


Se não fossem os danos, não seria eu.
Clarice Falcão


Eu sempre gostei de me apaixonar. Sabe aquele friozinho gostoso na barriga? Aquela vontade de conquistar o outro a cada sorriso? Então. Eu sempre me senti livre pra me apaixonar por quem eu quisesse e viver livremente aquele (possível) amor. Sempre fui daqueles que se joga sem medo de cair ou voar. Mas infelizmente (ou felizmente), a gente amadurece. A vida, com seus percalços e suas complicações acaba nos endurecendo um pouco diante de tudo que sempre gostamos de vivenciar. Com o passar do tempo (e das decepções) vamos nos tornando pessoas mais articulosas, com mais preocupação do que se parece com o que é de verdade. A gente passa a acreditar que entende todas as entrelinhas das pessoas e começa a perceber que realmente nosso sexto sentido geralmente não falha. Ao passar dos anos, nosso coração vai conhecendo de tudo. Muito amor, muito ódio, muita paixão e MUITAS (assim, em caps lock mesmo) tristezas. Então ele começa a não acreditar mais com facilidade em tudo que fantasiava. Ele percebe que nem sempre as pessoas são verdadeiras e que nem sempre a vida é tão linda quanto imaginamos. Aprende que dói acreditar e colocar sua confiança em alguém que não se preocupa com você. Ele aprende que a queda muitas vezes deixam cicatrizes que dificilmente serão curadas. Mas uma coisa, o coração também aprende: nada é para sempre. Nossos sentimentos, emoções, paixões, tristezas, passam. Sempre passam. E ao longo do caminho, ele (nosso tão falado coração) passa a compreender que o que nos deixa tristes, o que nos fere e nos faz receber a decepção como parte da vida, é a idealização de como as pessoas devem ser. As pessoas não devem ser, elas simplesmente são. com todos seus erros, acertos e derrotas. Com toda sua bagagem e suas memórias tão congestionadas. As pessoas são como a vida as criou, como o coração aprendeu... E não devemos esperar nada de ninguém, a não ser de nós mesmos. Eu quero voltar a me sentir livre para me apaixonar por quem eu quiser, afinal, eu acredito que todos nascemos para ter alguém (não apenas um alguém, mas todos os “alguéns” necessários para cada etapa da nossa vida). Quero ter a liberdade dentro de mim de fantasiar os maiores impropérios com alguém. Quero ter de volta a parte adocicada da vida, sem toda acidez que deposito hoje em dia. Quero pique-nique no parque com o coração transbordando. Quero emoção e lágrimas nos olhos ao pensar em alguém. Eu quero ter vontade de fazer surpresas. Quero ter vontade de olhar para o precipício dentro do olhar de alguém e mesmo assim me jogar sem ter medo. Quero ter coragem pra mudar tudo isso em mim. Coragem pra modificar o que me tornei, ter aprendido mas voltar a ser leve. E tudo isso é algo que apenas eu mesmo posso fazer. Eu quero ser livre, e quero poder acreditar de novo. A vida passa num instante, e que graça ela pode ter sem nos aventurarmos? Que novamente seja (agri)doce.

Para ouvir enquanto me lê: Capitão Gancho - Clarice Falcão

terça-feira, 23 de julho de 2013

Transbordar-se


Socorro, alguém me dê um coração que esse já não bate, nem apanha. Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa! Qualquer coisa que se sinta... Em tantos sentimentos deve ter algum que sirva. Cássia Eller

E agora? Por onde eu ando? Isso, eu me perdi de mim! Por onde anda aquele menino dos olhos brilhantes por um futuro que há de vir?
Me busco em cada canto, em cada olhar, em cada sorriso, mas já não me acho. Por onde anda aquela minha pureza? O que tanto fizeram com o que eu acreditava? 

Não sei. Eu não compreendo. Eu acreditei tanto, tanto em tudo! Acreditei em tanto sentimento que me demonstraram, em tanto carinho que me proporcionaram e em tantas palavras bonitas que me disseram. Acreditei em cada toque, e em cada vez que me prometeram: Vou ficar com você para sempre. Ah, mas esse “para sempre” sempre durou tão pouco. Eu acreditei no que me contaram. Acreditei nas palavras, na doçura da alma, sim! Eu acreditei em cada detalhe de todas as tramas inventada apenas para me seduzir, me emaranhar em cada olhar de ressaca que me foi lançado. Eu sonhei junto. Eu acordei junto. Até que um dia eu acreditei tanto, mas tanto, que transbordei. Saiu tudo por aí. Escorreu de mim grande parte da minha fé no amor. Senti vazando pelos meus poros a pureza dos meus sonhos adolescentes. Vi sobressaindo do meu olhar todas as esperanças de encontrar alguém pra dividir a vida. E foi ali que vi transbordar de mim, eu menino.  Eu sonhador. Um eu que realmente acreditava. Me roubaram de mim mesmo. Cada um que passou por mim, levou um pouco da minha alma, da minha fé. Hoje eu me busco de volta, e tento me encontrar em cada detalhe de mim mesmo. Busco-me no meu olhar, entre meus dedos e até mesmo no meu coração. Eu sei que ainda estou por ali, talvez só precise de uma mão pra sair. 

Para ouvir enquanto me lê: Talvez - Clarice Falcão

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nosso jogo perigoso combina


Você me ensinou muitas coisas, a melhor delas, me ensinou que o amor verdadeiro sempre espera um pouco mais pelos abraços atrasados.Gabito Nunes

Nesse tal jogo em que a gente sempre viveu já fomos de tudo um pro outro. Apoio, afago, esperança, grito, riso, choro, alegria, ‘fogo e até gasolina’. Vivemos de tudo que grandes amigos podem viver, desde vitórias, até tristezas que imaginávamos sem fim. Porém, um sempre estava ali ao lado para dar seu ombro amigo, seu olhar sincero e um sorriso que fazia a gente esquecer dos problemas. Todo mundo perguntava: Onde o Jhony está? E outra pessoa respondia: Vá ver onde a Ana foi, que ele está junto. E sempre será assim, sempre estarei junto. Hoje é um dia muito importante, é um dia especial. É um dia em que a minha andorinha vai voar longe, vai estar lá lutando por vôos cada vez mais altos e eu aqui torcendo para que cada vez ela prolongue mais seus dias felizes lá no alto. É minha amiga, quanta coisa passamos né? E quanta coisa ainda vamos passar, afinal uma andorinha pode ir para longe, mas sempre volta pra sua casa. Você é um dos melhores presentes que a vida me concedeu, e uma das melhores pessoas que conheci. Podem falar o que for, mas você fez dos meus dias os mais especiais possíveis. Vou sentir muito a sua falta. Falta da Ana com risada de gato miando. Falta da Ana repetitiva, que me diz mil vezes o quanto diz a mesma coisa mil vezes. Falta da Ana parceira, que em hipótese alguma me deixa sozinho. Falta da Ana companheira de baladas e calçadas. Falta da Ana atleta. Falta da Ana cheia de frescurinhas que me irritam. Falta da Ana caseira, fazendo pipoca de micro-ondas e queimando. Falta da Ana cautelosa, que compra qualquer briga por mim. Falta da Ana metódica, que tinha data até pra parar de beijar alguém. Falta da Ana doida, que fala pelos cotovelos. Falta da Ana mãe, que me aconselha, me afaga e me dá colo. Falta da Ana filha, que precisa de carinho e proteção. Falta da Ana chorona, que quando eu dou um abraço já melhora. Falta da Ana engraçada, que cai, que ri, e que mais importante que tudo gargalha de si mesma. Você é mais que uma amiga, é uma irmã. É minha companheira. Hoje você estará indo a alguns quilômetros de distância, mas você está comigo onde eu for e sempre em qualquer lugar. E eu tô contigo em cada momento. Sempre vai ser um “até breve!” por que no nosso coração, nunca haverá uma despedida. E família, mesmo que vai pra longe... Sempre é família né?‘ Nosso jogo perigoso combina’. Te amo minha grande amiga. Que seja doce!

Para ouvir enquanto me lê: Fogo e Gasolina - Roberta Sá e Lenine

sábado, 2 de março de 2013

AntiAmor, Antes Amor



Pra você ver, não existe mocinho e bandido nesse enredo. Você errou, eu errei também. Mas vai ver a gente estava tentando ser feliz, e felicidade é um patamar complicado de alcançar.
Gabito Nunes

Constato hoje uma coisa que imaginava, mas não queria admitir. Acho que eu não nasci pra esse negócio de amor. E quando eu digo amor, não me refiro à amizade, família e nem outro tipo de amor fraternal. Me refiro ao amor que envolve sexo, paixão e aquela coisa toda que já conhecemos. Sério, 
hoje olho pra trás e depois te tudo que já passei nem acredito mais que um dia eu possa amar alguém. Já amei demais, me doei mais do que devia. Me fiz inteiro para o outro me rasgar por completo, me fiz seu para você me destruir aos poucos. Eu não nasci pro amor. Não nasci para receber presentes carinhosos e nem afagos durante a noite. Não nasci pra sentir o pé do outro roçar no meu, esse mesmo outro que me levaria um café da manhã na cama caso eu tivesse nascido pra ter uma história de amor. Não nasci pra receber beijos inesperados e nem juras eternas. E eu sou muito triste por ter certeza disso. Não nasci pra príncipe. Não nasci pra ser ponto final de ninguém, entende? Nasci pra ser passagem. Nasci pra ser aprendizado, ser amigo, ser fiel, ser companheiro. Eu nasci pra ensinar como se deve amar, e não como alguém aprende a me amar. Mas amor não se aprende, não é mesmo? Ele apenas chega, invade, cuida da casa, se arruma todo pra receber o outro. Eu não nasci pra invadir. Vim para chegar aos poucos. Aos detalhes. Imagino que você leitor, nem entenda o que eu esteja dizendo. Mas pelo menos um dia, você vai se sentir como eu. Mas que você tenha “a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”, aos que ainda tentam... Boa sorte, encontro vocês no final.

Para ouvir enquanto me lê: Cais - Mallu Magalhães

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A ansiedade e tantas outras tantas coisas.


Vou te ligar. Fico matutando apegado ao assunto o dia todo, como aquele último chiclete de esperança, que já está gasto e sem gosto, mas você continua insistindo em mascar, muito porque não sabe mais o que fazer com a própria língua e dentes. Você pode estar doente. Pode estar carente, com saudade, precisando me dizer uma coisa que nunca teve coragem de dizer.
Gabito Nunes


Sempre fui ansioso. Desde quando eu era criança, me lembro de que assim que terminava meu aniversário já começava a contar os dias para o próximo. É que sempre gostei de ser feliz, ser presenteado, receber energia positiva de quem me ama. Nunca fui dessa gente que só busca motivo para ser triste, muito pelo contrário, eu sempre tentei ver a parte mais bonita de tudo. E então, quando você diz que vem às seis horas e quarenta e cinco minutos, em uma sexta-feira daqui a algumas semanas, já me arrumo. Me preparo. Quero tudo em perfeita ordem, quero valer a pena por que sei o quanto valho. Começo a arrumar a casa, deixo tudo da forma que sei que você vai gostar, pois te conheço há muito. E sei há muito do que você gosta. Depois da casa arrumada, vou para meu coração. Coloco ele na realidade que ele deve ter, vou limpando os cômodos tão vazios dele. Retirando a poeira, relembrando sujeiras, retirando as impurezas e o deixando como novo com cheiro de lavanda e alecrim. Vou relembrando a ele fatos, mostrando que não devo esperar muito para que eu não me machuque como daquela vez. E então, faxina no coração terminada entro dentro dele e começo a andar de um lado ao outro. Ansioso. Com medo. Querendo que essas semanas passem rápido como um furacão. Me desespero. Tento puxar assuntos variados. Corro pra você, e saio correndo de você. Me jogo no chão da sala, e começo a pensar : E se não der certo? E se dessa vez der certo? E se eu não for o suficiente? E se você não for o suficiente? E grito. Grito meu grito mais pesado. Grito um grito de busca, de sinestesia, de sentimentos guardados. Grito como quem quer te ter para sempre mas guarda isso, deixa quietinho, escondidinho. Corro para meu cérebro. Apesar do meu lado todo sentimental e intenso, ele consegue me parar. Ele sempre me diz e sabe o que fazer, por mais que tantas vezes eu faça o oposto. Entro nele, mas a ansiedade não passa. Busco memórias, filtro seletivamente as palavras. Toco em lembranças. Assumo emoções. Corro os riscos. E grito novamente. Um grito de lembrança. Um grito de vontade. Na verdade, um grito racional de vontade. Por saber que eu te preciso, não só no coração, como na casa e na cabeça. E então você vem falar comigo.
- E aí, tudo bem?
- E eu respondo, tudo e você?
Eu queria mesmo era te dizer:
- Claro que estou bem! Agora você vem. E vem sem eu chamar. Vem sem eu pedir! Dessa vez você vem mais aberto, vem com vontade e vem para que a gente se ajeite em minha cama de solteiro enquanto assiste mais um episódio daquele seriado. E para que a gente ria juntos, e se beije e se sinta. Agora você vem e como eu não estaria ótimo? Olho para as dores do mundo e nem as acho mais tão feias, por que você vem. Você vai estar aqui comigo me ajudando caso eu tenha uma dor também. E eu vou estar com você! Se eu estou bem? Eu estou é no paraíso. Sentindo-me aquele adolescente que acreditava em tudo de novo. Acredito em tudo de novo. Acredito em você de novo. E me sinto novo, em folha. E não espero o depois, eu espero o agora. O Depois vai vir, vai vir comigo e com você.
Mas não posso te dizer isso, eu sei que você não sabe lidar com algo caso me machuque. Sei que você não sabe lidar caso frustre minhas expectativas. Logo você que tantas vezes demonstra uma frieza tamanha, quer mostrar muitas das vezes que no lugar do coração tem um iceberg. Logo você que me disse tantas vezes que estava fechado. Logo você, que sempre se mostra longe de romances. Logo você, se preocupa mais comigo que consigo mesmo. Em mim você confia. E me quer. E sabe que me tem. Mas preciso me comportar, não vou estragar nada. E nem você. Tudo que eu quero é te fazer meu, rasgar a sua roupa, comer as suas vontades, saciar seus pensamentos, estraçalhar sua calma e aguçar sua espera. Mas preciso me comportar agora para que no depois, você seja meu inteiro.

Para ouvir, enquanto me lê: To Know Him Is To Love Him - Amy Winehouse

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Egocentrismo partilhado



Veja bem. Não tô dizendo que superei, as feridas estão comigo, servindo de baliza pra reconhecer esse lado quente e fresco das coisas. Mas eu preciso ir, não posso falar contigo agora. Tenho pressa de apertar o play. Dá licença? Então sai debaixo da minha sacada. E da próxima vez que sair na chuva, vê se antes aprende a se molhar.
Gabito Nunes


Olha, realmente o problema deve ser eu. Sim, eu mesmo. Eu que me doo, que me estrepo, que me corto, que me firo, que me alegro, que vivo, que me jogo do penhasco esquecendo que não possuo asas, mas acredito que elas surgirão quando eu precisar. E voo alto, e vivo muito, sou intenso ao extremo e quem me conhece sabe muito bem disso. Sou daquele tipo de gente que quando gosta, leva isso aos extremos, e quando digo extremo é extremo mesmo. Extremo a ponto de te dar minha cama se você não tiver um lugar pra dormir. Mas também quando não gosto, não suporto, sou mesquinho, egoísta, eu firo, sou ruim, penso coisas más e não gosto mesmo. Mas não faço coisas más, isso já não seria eu.

Eu, tão eu dentro de mim mesmo. Tanto sorriso, tanta lágrima, tanta bagunça. Tanto choro entalado, tanta vida vivida, tantos amores errados parecendo ser o certo, tanta gente entrando e saindo. E as pessoas ainda se surpreendem, ficam realmente surpresas por me verem dentro de mim. Esse cara que é o que ajuda todo mundo, e tem um coração grande existe mesmo. É o mesmo cara que ainda acredita no amor, acredita naquela tal fusão-de-duas-almas-se-transformando-em-uma-só. Acredito realmente que um dia, quando eu menos esperar vou descobrir o que é o amor, e como ele é diferente de tudo que já imaginei sentir. Eu sei que quando conhecer esse cara, verei nos olhos dele meus filhos, minha casa da forma que sempre planejei e meu cachorro correndo pela sala. Nele eu vou ver, vou redescobrir tudo aquilo que perdi entregando meu sorriso de graça por aí. Com ele vou entender que as coisas precisam de tempo para acontecer e que nem tudo vem na hora que achamos que precisamos, mas na hora que compreendemos que nosso maior amor, somos nós mesmos. Vou entender que amor, mesmo, é aquele que chega calmo e quando você nem espera já tomou conta de você todo. Nesse tal cara vou conhecer minhas futuras viagens, minhas férias tão sonhadas, minhas futuras rugas e até aquelas briguinhas chatas que jamais separariam alguém que se ama pra valer. Mesmo com tudo, tudo que acontece em minha volta. Tantas ilusões perdidas, tanta gente querendo que meu sorriso enferruje com o tempo, que meus abraços não perdurem por mais que alguns segundos, mesmo apesar de tudo isso eu acredito. Eu te encontro, e depois, não nos perderemos mais. 
Realmente o problema sou eu, que acredito que vale muito mais a pena viver do que ter apenas um final feliz.


Para ouvir enquanto me lê: Hedwig - Origin Of Love

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Me deixa entrar?


Eu não acredito no amor como falam por aí. Eu acredito em nós. Acredito em mim e em você. Nossa liberdade. Nossos sonhos. Eu acredito no que somos e no que sentimos quando estamos juntos. Será que isso só não basta? Será que amar é só o começo do dia? Eu não acredito no amor que leio nos livros. Um amor perfeito e sem desculpas. Eu acredito no que sinto. Quando olho pra você. Seu cabelo despenteado, nossos dias embaraçados. Verdades reais. Dias quase iguais. Será que isso só não basta? Será que amar é só o começo? Ou será o fim se não pararmos de ter medo e acreditarmos em nós.
Fernanda Mello

Na vida sempre tive muitas certezas. Sempre fui daqueles que possui objetivos formados e a certeza do que quer, do que busca e do que quer ter. Até que eu conheci você. Até parecia algo já pré-estabelecido, sonhado ou escrito em outros tempos, outras épocas e outras vidas. E tantas certezas já tão bem desenhadas no meu pensamento foram jogadas abaixo do abismo que encontrei dentro do seus olhos. Atiradas, escancaradas e mostradas a mim mesmo a partir de quando conheci você. Certezas expostas em carne viva, em sonho fresco e em alma limpa. E a partir de então, comecei a entender mais o porquê de não aceitar tanto as minhas certezas. Pois veja só, logo eu que imaginava me casar aos 20, me vejo aos 22 extasiado por alguém que eu nem sequer toquei. Logo eu que sempre fui tão intenso, fui querer alguém que prefere tudo aos poucos, em defesa de um coração que pelo que imagino já foi muito machucado. Logo eu, que sempre fui o cara-descolado-que-não-liga-se-nada-der-certo, quero que tudo seja perfeito com você. Logo eu que sempre fiz o que quis, espero seu sim para fazer tudo que preciso. Logo eu que sempre me coloquei acima dos meus próprios sentimentos, me vejo perdido, quietinho dentro do seu coração.
E sabe, todos os dias você me ensina um pouco. Todos os dias, quando eu vejo seu sorriso lembro do sol. Sim, dele mesmo. Ele é iluminado, ele é quente, e ele me dá uma vontade danada de me perder no quentinho da sua felicidade. E então, vou descobrindo o quentinho do seu coração. Ele que parece ter sido tão machucado merece uma atenção especial. Eu, que antes arrombaria a porta para entrar e fazer morada por lá, bato calmamente na entrada da sua alma. Chamo, e aos poucos vou me acostumando a estar ali. Já o decoro com flores e essência de lavanda. Me coloco como parte integral dele. Já conheço as veias, o som, o cheiro de roupa limpinha e alegria. Sinto ele bater forte, e tudo que eu mais queria era sair dali e ir pra bem perto de você, te abraçar e te convidar a pular desse penhasco comigo. E não precisa ter medo, eu te dou minha mão. Eu pulo, e prometo não soltar!
Eu vou continuar batendo. Bato na porta do seu coração todos os dias com um sorriso para te iluminar também, quero entrar e te fazer cócegas por dentro. E meu céu que estava tão nublado, vai poder voltar a sorrir. Afinal, eu nasci para você. Lembra?
Eu quero a realidade desenfreada e os sonhos mais bonitos, e é com você.
- E então... Me deixa entrar? 

Para ouvir enquanto me lê: You da One - Rihanna

quinta-feira, 26 de julho de 2012

E de que adiantaria gritar?

Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste?
Caio F. Abreu

E ser adulto é uma coisa complicada mesmo. Aos pouquinhos esses baques da vida vão nos levando mais pra dentro da gente mesmo. Estou numa fase difícil, diria a vocês que é a fase mais difícil da minha vida. Não sei, não to bem sabe? Não adianta. A cuca não tá nada boa, e o coração tão apertado. Nada mais me deixa completamente feliz. E nem pensem que o problema é alguém, coração machucado por paixonites agudas e nem nada disso. O problema é comigo mesmo, lá dentro, dentro desse meu coração de menino que não soube crescer, que não conseguiu acompanhar o mundo e a sua evolução. Eu realmente estou em uma fase complicada. Minhas gargalhadas não são mais de verdade, meus passeios não passam de ilusão e tudo que eu faço é pra tentar esquecer esse medo, que anda tomando conta de mim.
Hoje, ajoelhei e pedi muito para que Deus me carregasse um pouco no colo. Minhas pernas doem, e não sei se consigo mais dar alguns passos sozinho. Sabe, eu estou com medo da mudança que pode acontecer. Eu estou com medo do mundo.
Olho em minha volta, e tudo hoje parece tão fútil. As menininhas com seus dramas de corações apaixonados, os rapazes se perguntando se seu time de futebol vai para a final, as mães levando seus filhos a escola, os maridos inconformados com as contas no final do mês...  e eu querendo só uma coisa, gritar. Gritar para todos: Ei, vocês não estão vendo? Parte de mim não está aqui mais! Façam alguma coisa! Parem de viver essas suas vidinhas de merda e prestem atenção em mim, estou precisando tanto, tanto de alguém que me dê a mão e me ajude nessa caminhada.
Mas é só vontade, e depois passa. Passa por que meu grito é pra dentro. Passa porque não adianta nada falar alto. Passa porque tem que passar. Depois como um sopro de Deus vem algo e me diz: Calma. Isso vai passar. Calma.
É, vocês não devem estar entendendo esse texto. Mas é que por mais que minha vontade seja gritar ao mundo tudo que está se passando em minha cabeça, eu me controlo. Fico quietinho. Dou risada, participo, bebo, brinco e converso. E é isso, aprende Jhony, aprende que o mundo não vai parar porque você está tão machucado. Aprende, aprende que agora é só você contra você mesmo. Aprende, aprende...

Para ouvir enquanto me lê: Vento no Litoral - Legião Urbana

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Meu céu, as vezes nubla...


Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada.
Clarice Lispector



Quando somos pequenos, sempre que algo nos dá medo corremos para os braços dos nossos pais. Sim, sem nem pensar duas vezes. A primeira coisa que fazemos é nos encolher, nos cobrir com qualquer coisa que esteja por perto e esperar, até que possamos olhar pela fresta do cobertor e correr para o colo cheio de afago dos nossos pais. Vamos crescendo, e dessa forma achamos que somos sempre seres que não devem sentir medo, seres invencíveis pelas coisas que já passou na vida, seres que sempre conseguem vencer todos os obstáculos. E realmente vencemos, realmente somos capazes. Mas de vez em sempre, alguns obstáculos agem como pequenos bichinhos. Entram na gente, nos dói, nos machuca, nos fere, nos enche de nós... Nós apertados, nós que comprimem nosso coração e doem tanto dentro da gente, que nos sentimos novamente aquela criancinha, é, aquela mesmo no cantinho do quarto assustada. Pensando em tudo, tudo que poderia acontecer conosco caso nos descobrissem ali, debaixo da coberta. Aquele menininho de pantufas e pijama azul céu refletindo no escuro do quarto com medo dos fantasmas, dos bichos papões, das bruxas... Mas agora, nossos fantasmas também cresceram, estão mais fortes e mais medonhos. Os bichos papões nos pegam pelo coração, nos arranha e nos maltrata. As bruxas? Ficam em nossa cabeça, dizendo tudo aquilo que não deveríamos nem sequer cogitar em acreditar. E é nessas horas, nesses momentos que volto a ser aquela criança que tudo que mais quero fazer é pular no colo do meu pai e fazer com que ele me proteja de tudo, ou correr no abraço da minha mãe e sentir a mão dela no meu cabelo dizendo: Filho vai passar, vai passar. E passa. Quase todo dia. E ao passo que meu mundo vai, vai realmente passar. Hoje meu céu está nublado, mas amanhã vai sair o maior sol, eu sei.

Para ouvir enquanto me lê: Vienna Teng - Lullaby For A Stormy Night

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eu te cuido, você me cuida. ♥


Você é a melhor coisa que já me aconteceu, me faz tão bem a maneira com que você me ama! Eu te digo muito pouco... que é maravilhoso você existir.
Das Best - Silbermond

Esses tempos eu estava distraído em relação a causos amorosos. Estava cansado de tantos encontros adiados, e amores transferíveis. Tudo estava realmente difícil pra mim, e as pessoas... Tão superficiais! E então, você apareceu...
Você mudou as minhas certezas que eu já considerava tão certas em minha vida... Você veio e me tirou do chão, resolveu me emprestar uma parte de suas asas para voarmos juntos. E com ela voamos, e estamos conhecendo e desbravando um mundo que é apenas nosso! Nosso cantinho, nossos sentimentos, nossas vontades e nosso futuro. E não adianta tentarmos explicar algo que aconteceu quando menos esperávamos, as pessoas não entendem isso... Elas não entendem como o outro pode de repente te completar dessa maneira. Elas não entendem como um olhar nos faz entender quanto tempo perdemos sem estarmos um do lado do outro. Não adianta, elas não entendem como o seu sorriso me faz voar, me faz acreditar que tudo vai ser lindo outra vez.  Não vão entender nunca, que é em apenas em você que eu vejo meu futuro, e que minhas rugas, filhos, conquistas, vão valer a pena por que estaremos juntos.
Antes, dormia muito e via nos meus sonhos um refúgio... Hoje vivo dentro deles.
Eu estava há tempos esperando algum tipo de inspiração, algo que eu pudesse vir e contar, escrever... Mas eu tentava, e nada passava de linhas em branco.
Hoje comecei esse texto pensando em como eu estava há uma semana, e completo ele sabendo como você mudou minha vida em poucos dias.
É, é você. E vai continuar sendo você.
Ah, não esquece... Eu te cuido, e você me cuida
.

para ouvir enquanto lê: One and Only - Adele

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Gente de Verdade


"Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas."
Clarice Lispector


Eu sou dessa gente inteira, por mais que algumas metades me façam repensar nessa afirmação. Quem conhece meu coração sabe que ele é lindo e com uma antiga pureza exacerbada, com gramado verde e flores amarelas, luz... Frutas maduras prontas para serem colhidas apesar dos pântanos negros em sua volta.
Quem olha minha cabeça, sabe que apesar dos poços escuros, existe um pouco de vida em cada um deles, e a luz que fica em sua volta compensa a escuridão que os rodeia.
Sou dessa gente toda pra dentro, que ao reconhecer outra alma com uma pureza e uns apelos de putrefação se abre, se consola, se abraça e se torna dessa gente toda pra fora. Que não tem vergonha do que é, e nem vergonha do que vai ser. Por que essa gente, toda recolhida, nunca vai entender como essa gente de verdade, vive ou morre.

Para ouvir enquanto me lê: Uma delicada Forma de Calor - Zeca Baleiro e Lobão

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Não estraga, por favor!


Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas.
Tati Bernardi


Dessa vez queria que fosse diferente. Juro! Queria muito que dessa vez fosse a certa, pra valer! E queria muito que fosse com você. Queria muito aquela noite vendo as estrelas juntos, onde tudo se completa. Queria aquele jantar especial. É com você que queria que fosse minha vida, que cada detalhe dela desse certo, que cada obstáculo que passássemos fosse juntos. Unidos. Queria muito que você fosse diferente do que os outros foram comigo. Gostaria que seu encantamento por mim não se acabasse, que você sempre me defendesse quando falassem algo de mim e eu estivesse longe. Gostaria que você não me desse um bolo ou mentisse, cheio de artimanhas. Queria poder te olhar com cara feia quando eu ficasse bravo, e você cheio de carinhos viesse me fazer cócegas. Queria que você pudesse me olhar nos olhos sempre da mesma forma, mas nunca com pena, dó ou coisas parecidas. Queria ser diferente do que fui com os outros. Me entregar na medida certa, poder te conquistar aos poucos para que seu encantamento comigo não acabasse tão rápido quanto veio. Queria poder sempre te ver, como te vejo agora, com esses olhos de ternura e esse coração tão aberto. Queria poder rir das suas piadas, mesmo que elas fossem sem graça. Poder te olhar, e a cada vez me apaixonar um pouco mais, tendo a certeza que o mesmo acontece com você. Quero te fazer acreditar que eu sou o cara, e que você é o meu. E assim sempre. Eu gostaria que dessa vez fosse de verdade. Sincero, simples e lindo. Então, por favor... Não estraga! De coração não estraga isso. Não estraga o que sinto por você, não estraga essa minha vontade de ter você. Eu não quero ter ódio, nojo ou nada disso quando ouço seu nome. Por favor, seja sempre como você foi comigo desde o dia que nos vimos. Não minta. Pra mim não. Não como fizeram comigo... Isso dói, machuca e tira qualquer forma de carinho que eu poderia ter por alguém. E me fez desacreditar em tanta coisa, me fez passar a ser tão duro com outras. Eu sei, eu sei que você não é o amor da minha vida pois isso não existe, não acredito mais. Assim como Papai Noel, Coelho da Páscoa sabe? Se tornou folclore. E só. Mas eu sei que é você que eu quero. E eu queria tanto, tanto que fosse dessa vez. Queria tanto pode ter a certeza que tudo ficaria bem, e que seu colo estaria ali sempre, sempre.
Não te obrigo a ficar comigo, a sentir nada por mim. Mas por favor, não tire a admiração que sinto por você, e nem quebre um pouco mais meu coração. Ele está tão trincado, não sei se resistiria a uma nova queda.

Para ouvir, enquanto lê: Adele - Turning Tables

segunda-feira, 11 de julho de 2011

e vai continuar sendo você!


A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro.
[Caio F. Abreu]

Eu abro a janela, e através dela sinto aquela brisa suave que me lembra você. Me lembra a suavidade que se tornou minha vida quando você passou a ser uma das principais partes dela. Me lembra como é bom, como está sendo bom poder te sentir a cada novo detalhe do nosso ‘nós’ tão cheio de vida, tão cheio de amor. Antes, minha vida estava como um quarto escuro, em que eu estava lá dentro, em um cantinho bem quietinho. Sem novidades, sem grandes esperanças. Eu estava há um tempo sem sorrir de verdade, sem entender o que é estar bem-todos-os-dias. Mas então, ao longe enxerguei um sorriso, lindo... Tão lindo que não me permitiu entristecer por nenhum segundo. Um sorriso em que eu enxergava sua beleza, sua magnitude, sua verdadeira face que até então era desconhecida pra mim. Fui me aproximando, com medo desse sorriso lindo não poder fazer parte da minha vida, fui com cuidado... Mas antes que eu tropeçasse você me abraçou forte, me segurou e fez com que ali eu entendesse como essa vida é. Olhei nos seus olhos e ali eu vi tudo, tudo que precisava pra continuar. Olhei e dentro deles estavam suas marcas do passado, suas tristezas, suas alegrias, seu amor... Olhei mais fundo e pude ver tudo que sonharíamos juntos. E então, eu te apertei forte, te abracei e senti que aquele era meu lugar e ali era onde eu deveria estar.
E então, têm sido assim. Dias lindos, quentinhos e com muita ternura. Dias em que quando durmo, não vejo a hora de chegar o outro dia para poder estar mais com você. Dias em que quero fazer de você a pessoa mais feliz do mundo!
E eu quero tanto! Quero poder te acordar com um café na cama e beijinhos no pescoço. Quero realizar seus desejos e fazer com que cada um deles sejam especiais. Quero poder olhar nos seus olhos, sempre com a certeza que eles estarão me olhando de volta e que a cada sensação sejamos renovados, retocados juntos pelo tempo.
Quero você e meu futuro juntos, podendo olhar para o mesmo lado e pensar nos mesmos objetivos. Quero pintar sorrisos em seus lábios e fazer de você a pessoa mais feliz do mundo.
Quero ter você, seus amigos, sua família e todo seu amor, seu afago, seu carinho. Quero ser sua parte mais bonita, seu maior orgulho e sua maior conquista. Quero ser seu ponto fraco, seu amigo, seu amante, seu companheiro. Quero ser seu sorriso no intervalo das horas e quero ser aquele em que você pode confiar, e seguir sem medo.
Quero poder te encontrar nos meus sonhos e acordar sabendo que tudo aquilo faz parte de mim, da minha vida.
Quero poder gargalhar contigo, enquanto faço carinhos em seus cabelos pensando: Como eu sou sortudo... Que bom meu Deus, que bom!
E então estar com você se tornou a melhor parte do meu dia. Estar assim, abraçados, nos completando a cada novo toque, a cada novo sorriso.
E é você, e vai continuar sendo você a minha melhor parte!

Para ouvir enquanto lê: Teenage Dream - Glee Cast Version

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Apenas uns borrões


Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar.

Caio Fernando Abreu

Com cansaço, com uma estupidez imensa e farto de expectativas infundadas eu paro em um desses bancos de praça - que me lembra a simplicidade da vida – sento, e choro. Choro muito, choro com força, fazendo caras, dramas mexicanos, explorando minha face... Eu choro e me entrego nesse choro de melancolia, desprezo, saudade. Choro por tudo, tudo que deveria ter sido e não foi. Choro pela manhã de inverno que eu gostaria de ter sido acordado aos beijos enrolado em seu edredom. Choro pelo vento que toca minha pele, e sei que você não estará lá para me livrar do frio... Choro pelo futuro que desenhei, mas não passou de um esboço, de um desenho esquecido no canto de uma velha penteadeira.
Eu choro pelas marcas que meu coração adquiriu, por mais uma parte da minha inocência perdida, rabiscada, rasurada... Eu choro por não poder te segurar em meus braços e dizer: Não seja tolo, não me perca! Outro de mim você não achará tão fácil. Outro que te ama a tal ponto de se desvencilhar de todas as qualidades e te entregar. Alguém que te ama tanto, que chegou na maior humilhação do ser humano em rastejar por um bocado de carinho, afeto, abraço... Meu choro mais triste é um só: eu sei que você está me (ou seria ‘se’) perdendo e eu nada posso fazer para mudar isso. Eu não posso te dizer o que deve ser feito, não posso falar sobre o quanto seria importante ter seu sorriso nos meus dias tristes, como esses que estou tendo. Eu não posso chegar e te mostrar o futuro que desenhei para nós, afinal... Qualquer gota d’água pode borrar cada linha que desenhei de tudo que sonhei, de tudo que busquei. O sol com um sorriso, nós de mãos dadas e um mar. Sim, um mar. Daquela viagem que tanto combinamos, e talvez nunca seja feita.
Eu levanto do banco da praça, enxugo minhas lágrimas e continuo na caminhada, nesse corredor de incertezas a respeito do que vai ser, do que irei passar.
Hoje, senti a frieza de sua voz no telefone. Não sei quando, não sei como e nem sei por que você me perdeu dessa forma, só sei que está sendo... Mas ainda há tempo. Não deixe morrer o que sentimos, não deixe que minha luta seja em vão. Hoje, estou cansado. Lutei muito contra mim mesmo todos esses dias e talvez tenha sido bom. Talvez eu só precise de um lugar engraçado, as gargalhadas dos meus amigos, uma dose de vodka, outra de alegria e papos bons. Talvez, eu só precise voltar para dentro de mim e ver o quanto sou importante para passar por tudo isso. Sim, voltar a me amar a tal ponto que apenas pelo fato de estar vivo, eu possa compreender toda a sincronia e beleza de continuar.
Ah, e em relação ao desenho... Esqueça. Os borrões não são gotas de água, são de
lágrimas.

Para ouvir enquanto lê: Oração - A Banda Mais Bonita da Cidade

quarta-feira, 23 de março de 2011

Diálogo do Afastamento


Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva
Caio Fernando Abreu


- Olha, tá vendo aquela estrela ali?

- Sim. O que tem ela?
- Imagina... Está a milhões de anos luz de nós.
- E nós?
- O que têm?
- Faz tempo, que estamos a milhões de anos luz do coração um do outro.
- É. Faz Tempo.
- Porque você preferiu assim? Qual o sentido de se afastar de mim daquela forma, sendo que quando a gente se afasta o coração sente falta, o coração chora e o pior é que se acostuma. Se acostuma com a falta da presença do outro que aos poucos se torna rotina, normalidade, passividade. Por que se afastar se quando nos olhávamos nem precisávamos de estrela para que nossos olhos brilhassem, não precisávamos nem mesmo de motivo para isso. Ficar longe de mim era um alívio? Uma escolha feita devido ao sentimento de que tudo continuaria igual? Qual o motivo de querer isso pra gente?
- Eu não agüentava, não agüentava todo aquele amor dentro de mim. Estava enraizado em tudo que eu sentia. Suas raízes estavam crescidas dentro do meu coração. E eu não conseguia, não conseguia te tirar de dentro de mim nem que arrancasse você com minhas próprias mãos. Tentei. Juro. To tentando. Eu tive que fazer isso. Tive que fugir. Fugir de você, fugir de nós dois! Mas isso era tão complicado. Você estava dentro de mim e quando alguém se torna parte de nós não sai. Nem há milhões de anos luz longe um do outro. Como fugir de si mesmo?

(Silêncio)

- Tá vendo aquela estrela ali?
- Sim, o que tem ela?
- Ela nos observa lá de longe. Talvez tenha visto nossa história desde o início. O primeiro beijo. A vida feliz. A briga. O afastamento incontido.
- É, talvez, se ela tivesse escolha, não estaria a milhões de anos luz longe da gente.
- Me abraça?
- Sim, minha estrela. Sempre te abracei. Mesmo quando estávamos a milhões de anos luz um do outro...

Para ouvir enquanto lê: Remember When - Avril Lavigne