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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Me deixa entrar?


Eu não acredito no amor como falam por aí. Eu acredito em nós. Acredito em mim e em você. Nossa liberdade. Nossos sonhos. Eu acredito no que somos e no que sentimos quando estamos juntos. Será que isso só não basta? Será que amar é só o começo do dia? Eu não acredito no amor que leio nos livros. Um amor perfeito e sem desculpas. Eu acredito no que sinto. Quando olho pra você. Seu cabelo despenteado, nossos dias embaraçados. Verdades reais. Dias quase iguais. Será que isso só não basta? Será que amar é só o começo? Ou será o fim se não pararmos de ter medo e acreditarmos em nós.
Fernanda Mello

Na vida sempre tive muitas certezas. Sempre fui daqueles que possui objetivos formados e a certeza do que quer, do que busca e do que quer ter. Até que eu conheci você. Até parecia algo já pré-estabelecido, sonhado ou escrito em outros tempos, outras épocas e outras vidas. E tantas certezas já tão bem desenhadas no meu pensamento foram jogadas abaixo do abismo que encontrei dentro do seus olhos. Atiradas, escancaradas e mostradas a mim mesmo a partir de quando conheci você. Certezas expostas em carne viva, em sonho fresco e em alma limpa. E a partir de então, comecei a entender mais o porquê de não aceitar tanto as minhas certezas. Pois veja só, logo eu que imaginava me casar aos 20, me vejo aos 22 extasiado por alguém que eu nem sequer toquei. Logo eu que sempre fui tão intenso, fui querer alguém que prefere tudo aos poucos, em defesa de um coração que pelo que imagino já foi muito machucado. Logo eu, que sempre fui o cara-descolado-que-não-liga-se-nada-der-certo, quero que tudo seja perfeito com você. Logo eu que sempre fiz o que quis, espero seu sim para fazer tudo que preciso. Logo eu que sempre me coloquei acima dos meus próprios sentimentos, me vejo perdido, quietinho dentro do seu coração.
E sabe, todos os dias você me ensina um pouco. Todos os dias, quando eu vejo seu sorriso lembro do sol. Sim, dele mesmo. Ele é iluminado, ele é quente, e ele me dá uma vontade danada de me perder no quentinho da sua felicidade. E então, vou descobrindo o quentinho do seu coração. Ele que parece ter sido tão machucado merece uma atenção especial. Eu, que antes arrombaria a porta para entrar e fazer morada por lá, bato calmamente na entrada da sua alma. Chamo, e aos poucos vou me acostumando a estar ali. Já o decoro com flores e essência de lavanda. Me coloco como parte integral dele. Já conheço as veias, o som, o cheiro de roupa limpinha e alegria. Sinto ele bater forte, e tudo que eu mais queria era sair dali e ir pra bem perto de você, te abraçar e te convidar a pular desse penhasco comigo. E não precisa ter medo, eu te dou minha mão. Eu pulo, e prometo não soltar!
Eu vou continuar batendo. Bato na porta do seu coração todos os dias com um sorriso para te iluminar também, quero entrar e te fazer cócegas por dentro. E meu céu que estava tão nublado, vai poder voltar a sorrir. Afinal, eu nasci para você. Lembra?
Eu quero a realidade desenfreada e os sonhos mais bonitos, e é com você.
- E então... Me deixa entrar? 

Para ouvir enquanto me lê: You da One - Rihanna

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sissone en Avant


Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.
Caio Fernando Abreu


- Ah não! De novo não... Eu não consigo Maria! Por mais que eu tente... Logo após o salto, eu me desequilibro... Me machuco! Não nasci para isso, devo desistir.
Maria, sua amiga de tantos anos sabia que aquilo não era verdade. Pela sua experiência de vida, sabia que a menina das sapatilhas douradas havia nascido para tal feito. Então, como um golpe de graça exigia cada vez mais de sua amiga e aluna.

- Não fique assim menina, não adianta! Se todas às vezes que cai quando fazia o ‘sissone en avant’ eu resolvesse desistir do ballet eu não estaria aqui com você, te mostrando como fazer os passos, te ensinando a ser cada dia mais uma bailarina completa. Você consegue! É ótima no que faz, agora descanse, depois continuamos.
- Tudo bem Maria, eu acho que preciso descansar mesmo.
- Claro! Vá e amanhã volte com os ânimos renovados.
Enquanto voltava para casa, a menina olhava ao seu redor. Tentava buscar no vento a leveza que precisava para sua dança... Sentia aquela brisa passando pelos seus cabelos, e nela ouvia um som... Suave como um passo de ballet. A brisa refrescante trouxe aquela sua amiga borboleta que há muito tempo já não aparecia. A borboleta, leve como o vento tocou os ombros da menina, ali mesmo pousou e disse:
- Fiquei sabendo que pensou muito em desistir hoje. Desistir? Isso não pode fazer parte do seu vocabulário. Olhe a sua volta... Veja! Todos passam por dificuldades, todos passam por momentos difíceis que pensam que jamais conseguirão conquistar seus objetivos. Todos têm um dia de bailarina, que mesmo que se esforce não consegue fazer um ‘sissone’, caem, se machucam... E mesmo assim se levantam e tentam de novo, de novo e de novo. Vai menina, joga esses seus cabelos ao vento e sinta... Sinta como a vida é isso! A vida é a dificuldade que nos faz cair, a leveza do vento, a borboleta falante e conselheira que vem através da brisa falar com sua pupila. A vida é esse vendaval desenfreado mesmo! A gente erra, cai, apanha, sofre... Mas levanta, consegue e ri! Ri de si mesma pensando que jamais conseguiria tal feito. Ri das pessoas em sua volta que disseram para desistir... Sabe essa coisinha que tá aí no seu coração? A tal decepção por não conseguir o que tanto queria? Ela é um combustível para você tentar mais e mais. Vai menina, brinca com o vento! Dance ciranda com a vida e não desista. Um ‘sissone’ não é nada perto de muita coisa que ainda está porvir. Você é muito para desistir por tão pouco.
Como um passe de mágica a borboleta sumiu. Deve ter ido borboletear com outra pessoa que precisasse entender que nessa vida, um passo errado pode machucar, mas nada impede que você levante e com uma pirueta mostre a alegria de estar vivo e poder tentar de novo.
A menina soltou os cabelos, brincou com o vento, sorriu com o corpo e brindou a vida, saltando... Saltando entre as flores daquela grama verdinha do jardim de sua casa.
Chegou, dormiu e sonhou, sonhou, sonhou, sonhou... Acordando, pensou: O que há de se fazer a não ser tentar?
Vestiu as sapatilhas douradas e saiu cantarolando pela rua mimos a si mesma e cheia de coragem.

Para ouvir enquanto lê: Ciranda da Bailarina - Adriana Calcanhoto

Ps. Amooores! Que saudade de postar para vocês. Mas a correria tá grande demais! Agradeço a consideração de todos. Tenham um dia muito doce!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Continue Menina, continue...


"Tente. Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas."
Caio Fernando Abreu

A menina das sapatilhas douradas estava cansada. Tudo que fizera, parecia em vão! Ela lutou, relutou, e mesmo assim, nada. Ela tentou ter a leveza da borboleta, que tão linda pairava em cada toque de orvalho. Ela tentou compreender a tal ciranda da vida, que enquanto rodava fazia seu ciclo... E o ciclo é isso: Início, meio, fim, início, meio, fim, início...
Chega! Ela já não agüentava o peso de suas sapatilhas, A dor no seu coração e a esperança tão exausta. Ela só queria ser feliz! E tentou, tentou de tudo, de todas as formas.
A menina borboleta, enquanto cirandava pelo ciclo da sua vida resolveu abandonar suas sapatilhas, pendurá-las e esquecer quem um dia dançou tanto pelo baile da vida, esquecer da dor que esse baile causara em sua face branca, nua e cansada.
Então, ela ficou parada. Quis só olhar... Já não queria participar do baile. Pensou em tirar seu vestido de festa e dormir, sonhar e ficar quietinha enquanto os outros continuassem tentando.
Sua amiga, a velha borboleta já não tinha mais aquele brilho antigo porém continuava linda e borboleteando entre as palavras. Ela chegou perto da menina e pousou em seu ombro, sussurrando:
- Menina, não perca as esperanças. Nesse tal baile da vida, só vence quem dança até o fim. Quem continua apesar das feridas nos pés... Quem prossegue apesar de suas asas quebradas e mesmo assim tenta alcançar o vôo. Vai menina, levante-se... Não perca a oportunidade única. Coloque um sorriso no rosto e continue! O baile não pode parar, a ciranda não pode acabar e você não deve desistir.
A menina exausta, disse a borboleta:
- Minha amiga, não sei se agüento... Já sofri demais nesse baile. Muita gente pisou no meu pé, me derrubou no chão e me deixaram caída. Não deveria voltar lá, estou com medo.
- O medo escurece o baile e te impede de ver o melhor da dança. Vai lá menina, coloque suas sapatilhas e rodopie pelo salão-mundo. Sempre tem uma surpresa escondidinha em cada novo passo de dança.

A menina sorriu enquanto uma lágrima caía dos seus olhos. Ela estava entendendo, a menina borboleta começava a dar lugar a uma mocinha bailaria, que mesmo cansada de saltitar deveria continuar... E saiu dançando e alegrando quem passava ao seu redor. Borboleteando entre as pessoas ela enfim entendeu, que o poder da vida é ter a força de continuar.

Música para ouvir enquanto lê: Mine - Taylor Swift