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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Corda Bamba-Vida

Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Clarice Lispector

Olho e vejo aquela doce menina bambeando em sua corda bamba. Vai passando cuidadosa, olhando apenas para frente, para o futuro. Ela pode cair, ela sabe o risco que tem... Mas continua.
Ops! Que susto! Ela quase vai de vez para baixo. Mas, a doce e meiga menina das sapatilhas douradas por mais amedrontada que esteja, segue sua fé com seu ritmo, sua coragem, sua vontade.
Ela, que não perde a doçura por mais ventos que venham, continua ali, firme em seu propósito de chegar ao outro lado. Calma, doce, serena... Ela continua. Por mais que muitas vezes ela quase cai, mesmo assim. Ela se vê disposta a se esborrachar no chão só para conseguir o prazer de ter passado em sua corda bamba e ir com toda força para o futuro que a espera. Olha! Como brilham os olhos da menina ao passar pela corda bamba-vida, olha o prazer dela em fazer daquele momento algo muito mais intenso que apenas uma passagem, ela faz daquilo seu motivo, sua vontade, sua paz. Em seus olhos ela mostra a intensidade que sua própria doçura esconde,
a menina intensa como uma borboleta ao sair do casulo, imensa como a sua vontade cheia de novos sonhos, novas cordas bambas, novas cores.
A corda bamba-vida balança e os ventos tempestivos estão ousando perturbar a serenidade da bela menina. E ela, por sua vez, quase olha para os lados... Porém, se lembra do conselho de alguém que foi muito sábio quando disse:
- Não filha, não olhe para os lados quando um problema aparecer, enfrente-o olhando em seus olhos. Encare seu problema e não deixe que ele reflita em seu olhar.
E foi assim que a bela menina dos olhos claros como o céu azul foi perseguindo seu objetivo. Os olhos da menina agora não apenas brilham, como saltitam para fora de suas bochechas rosadas e alegres. Novas cordas bambas a menina terá pela frente e ela continuará assim:
Passando pela corda bamba, enfrentando os ventos fortes e seguindo, seguindo...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Bate papo com o coração. ♥


(...) Os grandes amores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copia, ninguém leva, ninguém divide...
Tati Bernardi

Eu vou ficar quietinho coração, sei que esse negócio de amor não é pro meu bico. Eu sei que tem sido meio complicado para você. Sei que tenho feito você viver intensamente demais, coisas que tem gente que não vive em nem uma vida toda. Mas me desculpa! Não foi por mal. Eu sou meio assim mesmo, completamente cheio de metades. Intensamente vivendo entre amores, cores, flores, dores... Que às vezes me esqueço que você tá dentro de mim, e sofrerá as conseqüências disso tudo. Me esqueço que você sou eu e acabo doendo demais em nós dois.
Eu sei coração, eu sei que as pancadas às vezes machucam a gente. Mas eu to tentando ser mais calmo, menos lascivo, menos nocivo a mim mesmo. Juro que estou! Estou ficando quietinho, na minha... Mas ah coração! Eu quero sair, quero desbravar o mundo entre poemas e canções. Quero me jogar de um prédio se for necessário! Eu quero, eu pulo! Pulo do penhasco da dor pra nos tirar de lá rapidinho. Eu prometo. Vou aprender coração, eu to aprendendo, já progredi bastante... Parei de sonhar com meu futuro junto de alguém! Isso é um passo coração.
Tá, eu sei, eu sei que isso não quer dizer nada. Ah! Mas é que eu sempre fui assim, parte de um todo e um diferencial de tudo aquilo que sempre esteve em minha volta. Sempre fiz de mim mesmo alguém muito mais forte do que eu realmente sou, do que nós realmente somos. Tá coração, vamos fazer um pacto. Não bata mais forte por ninguém. Você fica quietinho aí na sua e eu não invento mais nada. Fico aqui. Tentando reconstruir minhas muralhas, fugir dos meus abismos... É e logo to preparado para algo consistente, algo novo. Porque é assim, vai doer, vou me machucar, vou sofrer... Mas logo me aparece alguém, com um brilho nos olhos e com um sorriso de encantar qualquer um. Aí vou sair por aí, gritando a todos, dizendo para todas as pessoas que nunca amei dessa forma. O que não é mentira. Cada forma de amar é diferente, cada pessoa é diferente, cada um traz um encantamento diferente, sonhos reciclados, vontades arrebatadoras... E pronto. Me jogo no abismo que é o coração do outro de novo.
É o ciclo coração! É assim que tem que ser.
Mas então, pacto feito? Você não bate mais forte por ninguém e nem por nada, e eu quieto meu faxo. Feito?
TumTUM TUMtumTUM tumTUM...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pensamentos em Fases.


Silêncio. Meu quarto parece tão grande e quando olho ao redor só tem coisas do meu mundo. Minhas fotografias, textos, roupas, objetos... Tudo que de certa forma poderia contar quem sou. Tudo quieto e eu encolhido na minha cama pensando em tudo, em como tudo está e em cada coisa que posso mudar. Inércia. Sem saber para onde ir, por onde começar ou qual rumo tomar.
Eu tenho que tomar algum rumo agora? Não posso ficar só aqui, deitado, quietinho, ouvindo apenas a minha respiração? Se eu quisesse, até poderia... Mas a intensidade da qual eu sempre precisei para conseguir viver discorda com esse meu pensamento defensivo. Tempo. Já faz um tempo... Lembro-me já com certa nostalgia e alegria dos momentos felizes que passei e não apenas com você, mas com tudo que amei fazer. O tempo, algo que dizemos que pode curar tudo... Porém, creio que podemos curar tudo quando queremos isso, quando lutamos com todas as nossas forças contra nossos próprios pensamentos que apenas desejavam mais um beijo, mais um sorriso, mais um olhar... Paz. Chega num certo estágio em que vimos que fizemos tudo que foi possível sempre, tudo para que as pessoas que amamos se sentissem bem. Que aquele sorriso que demos e não o recebemos de volta valeu a pena. Liberdade. Sabe aquele pássaro, preso por tanto tempo na gaiola e agora livre para poder voar? É isso. Poder se sentir livre, feliz sem depender de alguma outra pessoa. Mostrar para si mesmo que você pode muito mais quando está preocupado consigo mesmo e sendo livre para viver isso. E vamos voar, é essa a hora! Voar, acreditar... Pular de um precipício sem medo de onde vai cair. Afinal, por aqui... Quanto mais alto o vôo, mais bela a vista!