quarta-feira, 23 de março de 2011

Diálogo do Afastamento


Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva
Caio Fernando Abreu


- Olha, tá vendo aquela estrela ali?

- Sim. O que tem ela?
- Imagina... Está a milhões de anos luz de nós.
- E nós?
- O que têm?
- Faz tempo, que estamos a milhões de anos luz do coração um do outro.
- É. Faz Tempo.
- Porque você preferiu assim? Qual o sentido de se afastar de mim daquela forma, sendo que quando a gente se afasta o coração sente falta, o coração chora e o pior é que se acostuma. Se acostuma com a falta da presença do outro que aos poucos se torna rotina, normalidade, passividade. Por que se afastar se quando nos olhávamos nem precisávamos de estrela para que nossos olhos brilhassem, não precisávamos nem mesmo de motivo para isso. Ficar longe de mim era um alívio? Uma escolha feita devido ao sentimento de que tudo continuaria igual? Qual o motivo de querer isso pra gente?
- Eu não agüentava, não agüentava todo aquele amor dentro de mim. Estava enraizado em tudo que eu sentia. Suas raízes estavam crescidas dentro do meu coração. E eu não conseguia, não conseguia te tirar de dentro de mim nem que arrancasse você com minhas próprias mãos. Tentei. Juro. To tentando. Eu tive que fazer isso. Tive que fugir. Fugir de você, fugir de nós dois! Mas isso era tão complicado. Você estava dentro de mim e quando alguém se torna parte de nós não sai. Nem há milhões de anos luz longe um do outro. Como fugir de si mesmo?

(Silêncio)

- Tá vendo aquela estrela ali?
- Sim, o que tem ela?
- Ela nos observa lá de longe. Talvez tenha visto nossa história desde o início. O primeiro beijo. A vida feliz. A briga. O afastamento incontido.
- É, talvez, se ela tivesse escolha, não estaria a milhões de anos luz longe da gente.
- Me abraça?
- Sim, minha estrela. Sempre te abracei. Mesmo quando estávamos a milhões de anos luz um do outro...

Para ouvir enquanto lê: Remember When - Avril Lavigne

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A guerra. O jogo. O Amor.


Talvez, afinal, eu devesse parar de bancar o durão e começasse a aprender a: receber cuidados.
Caio Fernando Abreu

Hoje em dia ando mais maduro. Quem não me conhece realmente diria que não, não acham isso de mim devido a certas atitudes que tomo... Outros concordariam sem pestanejar.
Já faz um tempo que não sinto aquele tal impulso de amor por alguém, sabe?
Já faz um tempo em que prefiro observar bem toda a situação (sem que o outro me note) antes de me comprometer demais com isso ou aquilo. Hoje em dia eu sinto um amor como uma guerra. Talvez pelo tanto que já sofri antes... Talvez pelo tanto que sei que ainda vou sofrer, e até porque considero o amor como um pouco de morte. A gente vai deixando de ser a gente, se entregando de uma maneira que nossas partes vitais e únicas vão se desfalecendo num emaranhado de expectativas, medos, frustrações.
Hoje, pelas minhas experiências não muito positivas em relação ao bichinho amor, entro nele como quando um soldado medroso vai para a guerra.
Vou com calma, observando o terreno... Vendo cada detalhe de como meu inimigo (ou seria parceiro?) atua. Sentindo suas vibrações, suas tensões... Sentindo se aquela fofura toda e aquele eu-te-quero-para-sempre não tende a se tornar um nada preso em meio ao vão emaranhado dos sentimentos alheios.
Olho, e então começo a tocar. Toco as partes do corpo, toco a mente e toco o coração de leve. Veja só que ironia, esse tem coração e bate, bate bem forte. Bate agudo, firme e em uníssono. Eu sinto a respiração... Sinto o beijo e... Chega! Já estou sentindo demais, querendo demais, pensando demais.
Agora chega aquela hora, a de entrar no terreno inimigo. Vou pensando com calma em como agir, em quais passos dar e quais os riscos que devo correr. Vou com medo, apreensivo... Não quero pisar em uma granada. Sim. Uma granada daquelas de amor não correspondido, que entra no corpo e vai destruindo cada parte de esperança que ainda tinha. Sabe aquela granada ‘dor’ que invade sem notar e vai entrando em sua carne, seus ossos, seus sentimentos... Piso com cuidado. Calma. Leveza. Vou tentando curtir aquilo como quem está em uma happy night num cassino em Las Vegas. É, porque o amor além de guerra é um jogo. O jogo do perde e ganha, o jogo de palavras onde buscamos as mais procuradas hoje em dia: Amor, respeito, confiança, fidelidade...
Então vou andando, indo de campo de guerra à um Cassino em Vegas em segundos.
Eu quero pisar nesse terreno, quero poder passar por todas as granadas e acertar de vez o coração do meu parceiro-inimigo. E quero ter certeza disso sabe? Quero ter certeza de que ele pisaria nesse campo minado por mim, e sem medo. Sentindo que pode haver granadas, mas pensando que o objetivo final é bem melhor... Bem maior, mais amplo sabe?
Mas acho que pensar num amor como guerra é doloroso. Difícil. Esqueça o que eu disse. Pense no amor como um jogo de sete erros. Buscamos os erros e tentamos arrumar as imperfeições, dando um toque enfim prazeroso a esse jogo todo.
Mas sabe de uma coisa? Acho que eu deveria tentar deixar acontecer... Ir indo junto com as coisas e os sentimentos, e todo o resto. Com paz.
O amor é, acima de tudo uma esperança positiva de que algo irá acontecer e acontece, acontece
É como diz meu mestre: “Barquinho na correnteza, Deus dará!”

Música para ouvir enquanto lê: Espero - Reação em Cadeia

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sissone en Avant


Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.
Caio Fernando Abreu


- Ah não! De novo não... Eu não consigo Maria! Por mais que eu tente... Logo após o salto, eu me desequilibro... Me machuco! Não nasci para isso, devo desistir.
Maria, sua amiga de tantos anos sabia que aquilo não era verdade. Pela sua experiência de vida, sabia que a menina das sapatilhas douradas havia nascido para tal feito. Então, como um golpe de graça exigia cada vez mais de sua amiga e aluna.

- Não fique assim menina, não adianta! Se todas às vezes que cai quando fazia o ‘sissone en avant’ eu resolvesse desistir do ballet eu não estaria aqui com você, te mostrando como fazer os passos, te ensinando a ser cada dia mais uma bailarina completa. Você consegue! É ótima no que faz, agora descanse, depois continuamos.
- Tudo bem Maria, eu acho que preciso descansar mesmo.
- Claro! Vá e amanhã volte com os ânimos renovados.
Enquanto voltava para casa, a menina olhava ao seu redor. Tentava buscar no vento a leveza que precisava para sua dança... Sentia aquela brisa passando pelos seus cabelos, e nela ouvia um som... Suave como um passo de ballet. A brisa refrescante trouxe aquela sua amiga borboleta que há muito tempo já não aparecia. A borboleta, leve como o vento tocou os ombros da menina, ali mesmo pousou e disse:
- Fiquei sabendo que pensou muito em desistir hoje. Desistir? Isso não pode fazer parte do seu vocabulário. Olhe a sua volta... Veja! Todos passam por dificuldades, todos passam por momentos difíceis que pensam que jamais conseguirão conquistar seus objetivos. Todos têm um dia de bailarina, que mesmo que se esforce não consegue fazer um ‘sissone’, caem, se machucam... E mesmo assim se levantam e tentam de novo, de novo e de novo. Vai menina, joga esses seus cabelos ao vento e sinta... Sinta como a vida é isso! A vida é a dificuldade que nos faz cair, a leveza do vento, a borboleta falante e conselheira que vem através da brisa falar com sua pupila. A vida é esse vendaval desenfreado mesmo! A gente erra, cai, apanha, sofre... Mas levanta, consegue e ri! Ri de si mesma pensando que jamais conseguiria tal feito. Ri das pessoas em sua volta que disseram para desistir... Sabe essa coisinha que tá aí no seu coração? A tal decepção por não conseguir o que tanto queria? Ela é um combustível para você tentar mais e mais. Vai menina, brinca com o vento! Dance ciranda com a vida e não desista. Um ‘sissone’ não é nada perto de muita coisa que ainda está porvir. Você é muito para desistir por tão pouco.
Como um passe de mágica a borboleta sumiu. Deve ter ido borboletear com outra pessoa que precisasse entender que nessa vida, um passo errado pode machucar, mas nada impede que você levante e com uma pirueta mostre a alegria de estar vivo e poder tentar de novo.
A menina soltou os cabelos, brincou com o vento, sorriu com o corpo e brindou a vida, saltando... Saltando entre as flores daquela grama verdinha do jardim de sua casa.
Chegou, dormiu e sonhou, sonhou, sonhou, sonhou... Acordando, pensou: O que há de se fazer a não ser tentar?
Vestiu as sapatilhas douradas e saiu cantarolando pela rua mimos a si mesma e cheia de coragem.

Para ouvir enquanto lê: Ciranda da Bailarina - Adriana Calcanhoto

Ps. Amooores! Que saudade de postar para vocês. Mas a correria tá grande demais! Agradeço a consideração de todos. Tenham um dia muito doce!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lembra da última vez que sorrimos?


Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava.
Caio Fernando Abreu

- É, fazia tempo que não vínhamos nesse bar.
(Suspirou fundo e o silêncio pairou ali por alguns segundos)
- Fazia tempo que não íamos a lugar algum...
- Lembra da última vez que sorrimos?
- Não. Deve fazer muito tempo. Mas lembro que era lindo.
- E faz, faz tempo sim. Acho que faz mais tempo do que o momento em que nos perdemos... E não nos perdemos de uma forma doce, delicada e quase imperceptível. Nos perdemos da forma visceral que sempre fomos! Nos perdemos da mesma forma que foi nosso primeiro beijo: Intenso, real, vivo, perdido... Nos perdemos de um jeito que nem mesmo entendemos. Jogamos-nos do alto de um precipício e quando chegávamos ao chão soltamos nossas mãos, soltamos nossos braços e abrimos ele como se a sensação da queda fosse doce mas não era, não gostávamos da queda mas talvez precisássemos nos perder... Sabe, como quando uma criança perde aquele brinquedo que tanto amava para aprender a dar valor? Pois é... Meu bibelô de Cristal está perdido, quem sabe talvez quebrado, trincado... Sujo sei que está, e não está por perto para eu depositar toda minha parte e todo meu amor que sobra dentro de mim. Nosso amor era tão lindo Menina, lindo de encher os olhos. Lindo de um jeito que até mesmo a lua se invejava de nunca ter vivido algo tão cheio, tão farto que chegava a transbordar pelos nossos olhos. Era lindo, era doce, era limpo e agora está sujo, perdido.
- O que se perde, um dia se encontra?
- Nem sempre, talvez o que se perdeu esteja do seu lado e você não viu porque não quis. Não encontrou porque não procurou. Talvez já não sentisse falta. Talvez aquela outra parte do bibelô de cristal não era tão importante assim... E eu só sei de uma coisa, quando você não procura é porque vive bem sem.
- E o que se quebra, trinca... Tem um jeito de ser consertado?
- Nem sempre. Quem sabe? Mas antes deve ser encontrado.
- Por favor, conserte seu bibelô, talvez ele precise disso mais do que você imagina.
Ele sorriu, e ela com os olhos cheios de lágrima sentia-se de novo aquela coisinha chamada esperança. Aquela coisa que nos conduz a um fio de felicidade tendo certeza que ela um dia vai existir. Vai existir, vai sim. De mãos dadas saíram do bar. O bibelô precisava de um conserto enquanto o seu dono, todo delicado colava e limpava cada parte do seu coração de cristal trincado pelo tempo. Agora sim, a lua já não se inveja desse amor, ela sente orgulho por presenciar algo tão lindo assim.

Para ouvir enquanto lê: De Janeiro a Janeiro - Roberta Campos

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Selos



Olá meus amoooores! *-* Como vocês estão?
Venho aqui hoje com muuuita felicidade que recebo mais um selo por aqui.
Com a indicação do meu leitor e amigo Jân Bispo, do blog Comando Contra o Tédio recebi o selo de Blog de Qualidade.
Fico muito feliz em ver que meus trabalhos podem ser reconhecidos, e que existem pessoas que me lêem e admiram meu trabalho. Muito obrigado a todos que acreditaram em mim!

Bom, então agora farei a minha parte que é:
  1. Repassar o selo para dez blogs.
  2. Avisar cada blogueiro indicado.
  3. Falar dez coisas sobre você.
Indico os Blogs:

2 - Tricotando a 4 mãos

Agora, 10 coisas sobre mim:
1. Sempre preferi o azedo ao muito doce
2. Já quis ser bombeiro, super herói e até médico
3. Prefiro o Preto que o azul
4. Odeio o sol mas amo ir para a praia
5. Sonho em ter uma vida tranquila com uma família feliz
6. Bife de fígado é o erro, jamais me chame para comer isso
7. Gosto de outras culturas, quero conhecê-las de perto
8. Prefiro meus amigos que qualquer romance
9. Tenho dias que mesmo quietinho, estou radiante de felicidade
10. Sou feliz, como sou e em qualquer lugar que estou. (:

Recebi também o selo Beautiful Blog:

  1. Precisa ser indicado por alguém que recebeu.
  2. Quem recebeu precisa indicar de 5 a 15 blogs que não possui tais selos.
  3. Publicar os selos em um post e avisar aos indicados.
Então vamos às indicações:

Pronto, tudo feito! Agradeço aos selos e parabéns aos indicados.
Tenham todos um ano novo repleto de paz e luz! *-*

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Porta Retrato, Porta Lembranças...


Tenho andado muito ruim, moço. O corpo, a saúde propriamente dita, tudo bem. O que vai mal é a cuca. Depressões, confusões, pirações. Então – te escrevi duas vezes: a primeira saiu uma coisa sincera, mas lamentativa demais, um saco. A segunda saiu “madura e controlada”, mas extremamente falsa. Resolvi não mandar nenhuma delas, mas esta – contando porque não mandei.
Caio Fernando Abreu


Sabe menino, eu tive muito medo de te perder um dia. Tive muito medo de acordar e não ter você ao lado, para dar um bom dia recheado de beijos e um sorriso repleto de carinho. Eu tive medo de um dia, ao sair, me deparar com todos os casais completos, enquanto a minha metade estava vagando por aí sem mim, tombando, fazendo força para não cair e perceberem a falta que essa outra metade faz. É, eu tinha tanto medo de um dia, de repente você acordar e pensar: Já não o amo o suficiente, hora de partir... Meu Deus! Meu desespero era tão grande de me imaginar um dia sem você, sabendo que pelo meu amor eu faria tudo! Eu me repartiria em vários para te agradar, eu construiria muros para nada de atingir, eu faria da minha vida a sua vida!
Ah menino que já não é meu, que falta faz aqueles dias de sonhos demorados... Aqueles dias que ao nos olharmos a emoção tomava conta e uma lágrima pairava em nossos corações. É, um dia eu disse que sem você eu jamais saberia viver... Eu menti. Eu to sabendo sim... Acordo todos os dias, escovo os dentes, vou trabalhar, estudo, como, bebo, me divirto, me cuido, durmo e até penso em encontrar um novo amor. Quem sabe, dessa vez mais quentinho e pra sempre? Quem sabe dessa vez menos eu e mais nós? Quem sabe dessa vez dure como eu sempre quis que durasse? Quem sabe dessa vez, eterno...?
Eu consigo sim, consigo viver sem você. Não que seja fácil. Não que um dia eu quisesse isso. Não que o seu Não, não tenha me maltratado e me machucado a tal ponto de desacreditar muito nas pessoas. Não que eu ainda não o ame com todas as minhas forças. Não. Eu continuo aqui, idiota ao ponto de imaginar que um dia, poderemos fazer tudo de novo. Mesmo sabendo que isso é impossível, mesmo sabendo que seu orgulho jamais permitiria isso, mesmo sabendo que não me dou bem com desconfianças e todos os dias eu acharia que novamente você viria com aquele papo “Estou sem tempo para mim”. Foda-se seu tempo, você, e todo esse amor que agora só me faz mal. Cansei disso tudo, infelizmente, cansei de querer você mais que a mim.
Mas vem aí, um ano novinho em folha!
Quem sabe junto com ele uma vida novinha em folha? Sentimentos novinhos? Um amor novinho, como aquele com cheiro de orvalho e toque de pureza? Ou quem sabe sem amor mesmo? E eu vou continuar, sempre continuo...
É, acho que no fundo eu soube que tudo terminaria desde que começamos.
Eu soube que meu amor era muito grande, tão grande que um dia transbordaria de mim mesmo e sairia por aí em outros cantos, outros toques, outros olhares...
Mas não me tire de vez da sua vida! Não me tire ‘para sempre’ dela. Quero saber se você tá bem, se você está feliz... Seja feliz. Seja muito feliz.
Hoje estou triste e não vou mais lutar, acho que mereço um descanso.
Ah, sabia que meu quarto está com novos porta-retratos?
É, eu retirei aquela foto antiga, junto com umas lembranças velhas que guardava no coração... Sim, você estava em todas elas.



Para ouvir, enquanto lê:
50 Receitas - Leoni

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um sonho, daqueles de sorrir sem motivo...


“Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (…). Eu abandono histórias, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (…). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar…”
Caio Fernando Abreu


Foi um sonho. Daqueles de dar água na boca e um conforto quentinho no coração.
Foi um sonho, mas não apenas mais um sonho... Foi um sonho lindo! Daqueles que a gente não quer acordar por mais bonito que esteja o dia, sabe?
Aquele sonho que nos dá um sorriso no cantinho dos lábios só de lembrarmos a respeito dele.
Nele, você estava lá, exatamente da maneira que sempre imaginei como seria nossa relação minuto após minuto. Aquele sorriso estampado na cara, praticamente dizendo ao mundo: Enfim, sou feliz. Quer embarcar nessa também?
Aquela cumplicidade linda, que vejo hoje em dia em todos os casais, isso existia em meu sonho, isso existia em cada pedacinho do ‘nós’ ali. Eu poderia te dizer tudo e como foi cada detalhe do nosso dia tão sonhado que ainda não existiu... Mas sabe por que acho que sonhei? Medo desse dia nunca chegar.
Medo de estar fazendo uma história de amor solitária em cima de um breve 'Era uma vez...".
Medo de estar romanceando sozinho, sem sua companhia.
Eu tenho tanto medo do nosso dia nunca chegar que acabei construindo cada parte dele, como quem constrói um castelo de areia sabendo que um dia vai desmoronar. Mas mesmo assim arruma a terra, dá formato, dá vida, dá alma, dá coração, dá qualquer-sentimento-exarcebado que faça valer a pena aquele estado de espera, de vontade, de uma saudade irracional daquilo que ainda não existiu.
Eu tenho tanto medo que você seja apenas uma ilusão que criei para ser feliz, apenas uma parte da minha história que não terá continuidade. Eu não quero isso! Eu quero você em todas as parcelas de tempo do meu dia. Eu te quero para mostrar a si mesmo o quanto posso te fazer feliz, cara! Eu quero cada toque de suas mãos, cada sentimento do seu coração, cada suspiro dado por um sinal de amor. Eu quero até mesmo as suas tristezas, limpar suas lágrimas e beijar sua bochecha quando você precisar apenas de um colo, de um amigo...
Eu te quero e não para depois, não para outro dia, outra semana, outra vida... Eu te quero agora! Te quero para os meus instantes todos que sinto cada pensamento seu mesmo estando longe.
Sente o tamanho disso tudo? Sente o quanto posso abobalhar seu coração que já é tão bobo, tão lindo, tão meu?
É isso que quero fazer com cada pedaço teu meu bem. Quero, junto contigo meu companheiro, construir um castelo. Mas que esse não seja de areia, nem de nenhum material frágil... Que ele seja construído com ternura, moldado com carinho, finalizado com amor e modificado com o tempo pela esperança.
Vamos construir esse castelo?
Prometo que te ajudo em cada detalhe e no final te dou um beijo na testa. Sinal de respeito? Não apenas isso. Sinal de que quero estar sempre na sua cabeça enquanto moro em seu coração.

Música para ouvir enquanto lê:Pink - Fucking Perfect


*Galera, me desculpe a demora para postar aqui! Final de Termo é essa correria, provas, trabalhos... Mas muito obrigado por continuarem acompanhando meu blog. <3