
"... Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso."
Clarice Lispector
Estranho,
Não gosto de normalidades. Sim, não curto esse tipo de vida ‘normal’, pessoas ‘normais’ e tudo que criamos com a nossa ‘normalidade’ excessiva.
Não suporto a normalidade de sentimentos e nem qualquer tipo de coisa que seja óbvia demais, fácil demais, normal demais...
Eu sou a intensidade dos sentimentos dentro de um corpo em constante e total movimento.
Por isso eu digo, se me quer de verdade não seja bonzinho comigo! Me ‘maltrate’, tenha latejando dentro de si cada um dos seus defeitos, seus formatos e suas incógnitas tão mal resolvidas.
É disso que eu gosto, é isso que me interessa!
Gosto do difícil, do arrebatador, daquilo que quase aconteceu, mas por uma maré de circunstâncias não prosseguiu, não continuou, não venceu.
Eu sinto um prazer imenso pelo inesperado, uma total sequencia de orgasmos quando o impossível me vem às mãos.
Eu te quero assim e te quero agora, não mais te procuro, não mais te sigo, só espero.
Espero o inesperado do impossível em suas mãos como um presente, com laços de afeto e embrulho de amor. As mãos de alguém que ao menos conheço, mas já é tão meu. As mãos que um desconhecido tem, mas já faz parte de cada detalhe do meu rosto, e note: Sua mão se encaixa perfeitamente no acariciar dos meus cabelos, no toque dos seus dedos com minha pele quente e macia, ela se encaixa perfeitamente em cada singelo carinho.
Sim eu te quero assim, dessa forma que você está sendo que nem sei qual é, mas te quero! Quero cada formato de seu corpo, cada saliva dos seus beijos, quero o seu coração com tudo dentro! Com coisas boas, ruins, frívolas, maravilhosas... Te quero inteiro e com a alma toda, com todos os devaneios de alguém tão intenso quanto seu par. Te quero com esse seu corpo todo, com essa vontade toda de ter um ao outro. E quando penso tanto em você imagino: Será que esse ser que nem conheço também quer tanto me encontrar? Tanto me conhecer? Tanto me completar? Tanto ser ‘nós’ ao invés de apenas: eu?
Eu te quero, mas não mais fico ansioso, não mais fico triste e nem ao menos com medo. Porque eu sei que você está vindo, ou eu estou indo. Mas a falta de normalidade de nossos sentimentos e o sorriso em forma de coração vai me fazer te reconhecer aonde quer que esteja. Estranho, meu estranho que já tanto amo sem ao menos conhecer. É para você cada palavra, e é para você cada parte do meu coração tão cansado de normalidades, venha e me tire das convenções, me tire da rotina e me desloque dessa vida óbvia.
Meu estranho, meu estrangeiro, meu...
Sinceramente e cheio de obviedades complexas, Eu.





