segunda-feira, 28 de junho de 2010

Qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro?


Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Clarice Lispector

Ontem eu e minha amiga Luma estávamos conversando a respeito de nossos próprios defeitos e qualidades, e de como as pessoas lidavam com isso.

Tudo isso faz parte de um conjunto que somos nós, tudo isso faz parte da nossa vida e está marcado em nosso rosto, em nossas expressões. Todo defeito ou qualidade nos faz ser o que somos, e ambos são muito importantes para nossa formação como pessoa. Lembramos que muitas pessoas vêem em nós, qualidades que nem achamos que realmente temos. Isso faz parte, a rotina é tão cansativa que nos perdemos dentro de nós mesmos e acabamos esquecendo o quão delicados, doces, amáveis, simpáticos, bonitos... e etc, somos. Esquecemos de lembrar isso para nós mesmos quando a angústia da escuridão vem nos perseguir. Esquecemos que para toda qualidade, tem um defeito e vice-versa. E também esquecemos que todos temos coisas boas e ruins, e cada coisa dessa faz sermos seres tão surpreendentes. E é isso, ame o que é bom e ame muito o que também é ruim em você. Se ame, se coloque acima de tudo! E isso não é egoísmo, é
amor próprio.

7 comentários:

  1. É. As vezes as pessoas de fora nos olham e enxergam qualidades nossas que tão esquecidas debaixo do tapete empoeirado de responsabilidades, problemas. É preciso que sempre alguém faça uma faxina e mostre que por baixo há algo lindo.
    E não tem que ser alguém de fora, e sim de dentro. Nós temos que saber que somos bons, que temoos nossas qualidades, e óbivio, também defeitos.
    Amor-própio não é algo que pessoas de fora darão a nós...tem que vir de dentro.
    Te amo, meu psicologo da vida.

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  2. Clarice Lispector é sempre uma reflexão de verdade muito profunda. E é realmente isso, as pessoas se calcam nos seus erros e cegam-se às suas qualidades, muito mais proveitosas. Isso é uma construção socioeconomica proporcionada sobretudo pelo trabalho, que maquiniza o ser humano. Para além disso, é raridade pessoas que se 'lembram' de sua essência e aceitam seus defeitos. E que dirá críticas. Mas, assim, no nosso concatenar de gente, somos dotados de muitos defeitos não aparentes (ou até mesmo perceptíveis) e, também, de qualidades. E, portanto, isso nos caracteriza em nosso ser. Clarice: "Eu sou eu. Você é você. É lindo, é vasto, vai durar..."
    Excelente post, sábias palavras.
    Rafael.

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  3. e qual seria a graça da vida sem os defeitos e as qualidades dela?
    lindo texto, Jho!

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  4. Penso que defeito nos dá mais o tom de humanidade. É aquela velha questão imposta e que todo mundo esquece: não nascemos perfeitos e nem prontos e a cada dia que passa, estamos nos aperfeiçoando. Para que? Não importa. O que realmente importa é sabermos lidar com nossas razões e emoções, nossos medos e nossas coragens, dia a dia, sem se preocupar, sem questionar (ou questionar, pois faz parte de nossa gentil maneiro de viver/estar no mundo), mas acima de tudo, ter a consciência de que sim, somos um poço de desajustes, sempre prontos a encontrar alguém que compartilhe conosco, aquilo que se é, de verdade e não o que aparenta ser, afinal de contas, "o essencial é invisível aos olhos...".

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    1. E de repente, se cortarmos um defeito nosso edifício todo balança e desmorona. Defeitos nos fazem humanos, e termos todas essas emoções humanas que nos fazem escrever. Obrigado pelo comentário querido!

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